Há algum tempo não visitava lugares diferentes. Resolvi de última hora fazer um passeio cultural (leia-se compras de sacoleiro) em Sampa.
No destino, como não conhecia a melhor logística para me deslocar do aeroporto ao hotel, decidi perguntar pra aeromoça. Analisei a moçoila e achei que estava um pouco cansada, para não dizer, pouco receptiva. Ao meu lado, uma jovem, próximo aos 25 anos, bem vestida com sacola de couro como bagagem de mão. “Vixe”, arrumada demais. Deve se dirigir ao heliporto e não deve nem saber o que é transporte coletivo. Bom, tinha uma aparência simpática. Se não soubesse me informar exatamente o que fazer, poderia me esclarecer outras dúvidas. Resolvi arriscar e perguntei se era paulista. Ela me disse não. Suspirei. Não ia me arriscar a pegar ônibus com bagagem de 10 kg e ainda incomodei a criatura com uma pergunta ridicula.”E por acaso, é só paulista que sabe se deslocar em SP?”, refleti, apenas, depois, claro. O único remédio era pagar a um taxista dois terços do valor que paguei na passagem de avião para garantir um pouco de conforto e principalmente, segurança.
Tinha razão sobre o meu segundo palpite. Vendo a minha expressão preocupada e à vontade com a minha cara-de-pau, a 35 mil pés de altitude, a moça, codinome Andréa, me revela que não conhece SP. Na verdade é a sua primeira vez em tudo. “Como assim?”, pergunto, curiosa. Visitar o estado, viajar de avião, conhecer pessoalmente o rapaz que namora virtualmente há três meses e por fim(ufa!), esconder da família toda essa aventura. “Hã?” (O que mais eu poderia responder?). “É a primeira vez que conheço pessoalmente uma pessoa (‘viva’, pensei, lógico, que nada disse) envolvida nesses casos de internet”. Ela riu. Não estava acreditando que estivesse fazendo aquilo também.
Na verdade, ele trabalha no suporte de Informática da matriz da empresa dela e a viu pela primeira vez pelo sistema de segurança. Começou a abordá-la por telefone e a partir daí, descobriram pontos em comum, passaram a se falar frequentemente, trocaram e-mails, fotos, “iogurte”, chats até altas horas da madrugada…
Com uma agulhada feminista, pergunto se não teria sido melhor, ele ter ido visitá-la. Ela me disse que ele havia tentado, mas, por algum motivo de trabalho, não pôde ir. Sem controlar a paixão, ela filou o trabalho e seguiu em direção ao amado.
Ainda para minha surpresa, fico sabendo que ele transita na mesma região que eu quero me dirigir e podia me dar várias dicas. “Xuxu beleza”, como diria minha bisavó. À medida em que conversavámos, a oferta crescia e eu, aflita por transitar sozinha numa cidade agressiva como São Paulo, não me sentia inconveniente por aceitar um convite de carona caído do céu, literalmente falando.
Ledo engano, como descobriria mais tarde.
Pousamos em Sampa e serelepe e saltitante, a apoiei com os retoques estéticos. Enquanto, ele estava preso no trânsito, o aguardavámos, conferindo algumas das suas fotos. A cada quinze minutos, eles se falavam ao celular e eu começava a me sentir como se estivesse participando do programa “Namoro na TV”, de Silvio Santos.
Ele apareceria de boné e com a aproximação do blind date (encontro às cegas), Andréa começou a ficar ansiosa. Com o retrato falado do rapaz, apontei um nerd transeunte. Apesar de nervosa, ela entendeu a minha piadinha e riu. (preocupada, diga-se de passagem).
Fui dar uma volta e não conferi o encontro dos dois. Ah….todos me perguntam se deu certo. A resposta é SIM! Um brinde ao amor….só que eu não ia ficar espionando, né? Depois do primeiro contato, fui apresentada a ele e o mesmo, muito receptivo, apesar de não ter carta ( linguajar paulistano = carteira de motorista), reforçou o convite da carona.
Na primeira curva, eu tive a sensação que era melhor mesmo que a família dela ficasse sem saber dessa aventura e comecei a imaginar a expressão de meus amigos que insistem em dizer que vivo entrando em fria.
Seguimos o caminho conversando trivialidades da viagem. Estavámos no contra-fluxo (lp = no sentido contrário do engarrafamento padrão), e ainda assim, demoramos um bom tempo no trânsito. Aos poucos, o casal deixou a curiosidade tímida de lado e começou a matar a saudade. Foi quando me perguntei:”entãooo, o que é que estou fazendo aqui?”

KKKKKKK. Tá faltando homem em Salvador. Wan se deu bem em arranjar um marido legal. Mas essa coisa da tecnologia tem muita influência: aproxima os distantes e distancia os próximos. Em vez de arranjar um namorado na pracinha ou no playground, a garota arranjou um em São Paulo. Nessa, gasta-se com passagem, provoca-se caos aéreo, polui-se o meio ambiente, e a roda do capitalismo vai girando e detonando tudo que encontra pela frente.
Por: Marcos em Janeiro 7, 2008
às 1:36 pm
Concordo com Marcos, deve estar faltando homem em Salvador !!!
Mas cá pra nós, essas histórias só acontecem mesmo com Wanessa !!!
Por: André em Janeiro 7, 2008
às 5:17 pm
Convenhamos!!! O que é que está acontecendo com os baianos-baianos, mineiros-baianos, gaúchos-baianos, isto é, com todos esses cidadãos brasileiros que compõe a cidade do Salvador. – To me incluindo nessa também – . -Poxa!!! Não vale a pena nem comentar muito. “Querida! Vc precisa rever os lugares que vc anda por aqui. O que foi que vc tirou como parâmetro pra fazer isso?”
Por: Fábio em Janeiro 7, 2008
às 5:46 pm
Wan,
Tudo lindo … tudo certo… PRA ELA, OU PELO MENOS ELA ACHA!!!! Porque cá pra nós… o que deu na cabeça dela para sair daqui assim, deste jeito???? Quantas será que ele já “convidou” e que já foram lá… pelo mesmo motivo??? Quem deveria ter se locomovido deveria ter sido ele!!!!!!!!!! e olhe que não sou feminista!!!!!!!!!rsssssss
Por: Patricia em Janeiro 7, 2008
às 5:53 pm
Concordo com vcs que ela devia ter procurado mais por aqui e que ele deveria ter vindo ao encontro dela. (inclusive, eu a indaguei sobre isso e me pergunto até qto a idéia do novo/diferente a seduziu ) mas…..acontecem coisas na nossa vida que não esperamos e/ou não tem um sentido sequencial como esperamos. Às vezes, isso se chama paixão, amor, não?
Estou sendo ingênua? Qtas loucuras as pessoas fazem para realizar seus sonhos ? Satisfazer seus desejos? Quais pessoas ou situações nos dá coragem e felicidade tornando nossas vidas especiais?
E olhe que eu não sou romântica…
Como diz Niemeyer: a vida é um sopro!
Por: zirunga em Janeiro 8, 2008
às 1:18 am
Eu já fiz coisas desse tipo. Não me arrependo, mas não sei se faria e me arriscaria tanto novamente. Mas é isso… a vida urge!
E quanto a SP, pq vc não me ligou? Teria lhe dado todas as dicas da muambagem!
Por: KK em Janeiro 8, 2008
às 10:50 am
“Viver é a coisa mais rara do mundo. A maioria das pessoas apenas existe.” Oscar Wilde
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Pra quê olhar pro quê está perto, quando o quê se quer está distante?
Ela teve coragem pra ir atrás do que queria, se é um sonho, uma fantasia, uma loucura, não nos cabe julgar, apenas respeitar sua coragem! Isso é viver!
Por: Renan em Janeiro 9, 2008
às 3:42 am
Ahhh ! Amei a história além de romântica, muito divertida olhando pelo seu ponto de vista Nessa!
Por: Dani em Janeiro 9, 2008
às 2:02 pm
Não julguei a garota, mas a configuração de mundo atual que cria situações deste tipo. Hoje sou pela simplificação, pois já estamos complicados demais.
Por: Marcos em Janeiro 9, 2008
às 2:45 pm
Acho que você foi um tanto radical; criar polemica quanto a ela ter ido ou não, ter ficado com alguém de SP ou de Salvador até vai, mas dizer que causa caos aereo, polui o ambiente e contribui com o capitalismo foi um tanto quanto exagerado, levando em consideração tudo o que realmente contribui para isso…
Por: Renan em Janeiro 10, 2008
às 2:06 am
Hahahahahahhaha. O comentário de Marcos foi o melhor (o primeiro) !
Wan, mas tu é medrosa hein? “numa cidade agressiva como São Paulo” . Hahah. Que drama
. Brincadeira, eu sou medrosa também, eu te entende
.
Sobre a história da garota, atualmente eu concordaria com o que ela fez. =P
Por: Tatiana em Janeiro 10, 2008
às 9:42 am
Renan, eu não vejo radicalismo…talvez, dentro desse contexto específico, seja mesmo complicado entender que Marcos se refere ao mundo contemporaneo onde somos “vítimas” do consumismo e a todo instante, criamos necessidades/desejos que julgamos vitais para nos trazer felicidade, mas, que no fundo, não são tão essenciais assim.
Tatianaaaa, eu sou medrosa sim, mas, até que me saí bem, viu? Andei sozinha pela cidade, fiz amizades novas…:)
Por: zirunga em Janeiro 11, 2008
às 12:46 am
Menina essa sua história de amor virou polêmica hein? Que coisa!!!
Por: Dani em Janeiro 15, 2008
às 2:24 pm
Oi Dani!
Pois é…quando a discussão é saudável, e cada um respeita o ponto de vista do outro, é ótimo, não!?
Por: zirunga em Janeiro 15, 2008
às 3:41 pm
que linda historia para una mujer que merece lo mejor de la vida..
que suerte la de ese hombre de tener a una mujer que es capaz de viajar kilometros por una ilusion y el trabajo de el es no desilusionarla..
mujeres entregadas como ella no son muchas
Por: rodrigo em Janeiro 17, 2008
às 1:52 am
al mismo tiempo, hombres como “ella” no son muchos, sí?
Por: zirunga em Janeiro 18, 2008
às 10:09 pm
Muito Legal o passeio…. uma tremenda aventura, já fiz um monte de loucura dessa… fico imaginado todo o passeio…fui parar em foz do iguaçu em 95 do mesmo jeito…kkkkk
Por: MV em Fevereiro 15, 2008
às 9:46 pm
Finalmente resolvi deixa meu comentário……
….as piores loucuras sao as mais sensatas alegrias.O q eu fiz hj deixei de herança para aqueles que sonham em ser como eu: louca mas feliz! !
Infelizmente não deu certo…. mas não me arrependo de nada…..
Por: Luciana em Março 18, 2008
às 3:29 am
aêêêê…seja bem vinda! Vc se tornou a protagonista mais famosa do meu blog! Recorde de acessos de posts pessoais!
Qto ao final da sua história:é uma pena que não tenha dado certo! Mas, sim:valeu a tentativa e não houve infrações graves para ter do que se arrepender!
Por: zirunga em Março 19, 2008
às 12:50 am