Alberto de Campos (Fernando Pessoa)
Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.
Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.
As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.
Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.
Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.
A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.
(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas.)
Permita-me uma lembrança a este post com a letra de uma música bem antiga da MPB.
Mensagem
Quando o carteiro chegou,
E o meu nome gritou,
Com uma carta na mão.
Ante surpresa tão rude,
Nem sei como pude
Chegar ao portão.
Vendo o envelope bonito,
E no subscrito eu reconheci,
A mesma caligrafia, que um dia me disse:
Estou farto de ti.
Porém não tive coragem
De abrir a mensagem
Porque na incerteza, eu meditava e dizia:
Será de alegria ?
Será de tristeza ?
Tanta verdade risonha
Ou mentira tristonha, uma carta nos traz…
Assim pensando rasguei, sua carta
E queimei, para não sofrer mais.
Por: Jorge Alberto em Junho 16, 2008
às 2:38 am
E Bethânia declamando isso é mais bonito ainda!
Por: KK em Junho 16, 2008
às 11:49 am
E muito. Ela declama no meio de uma música…esta que Jorge citou é bem a cara desse quadro!
Por: zirunga em Junho 16, 2008
às 11:58 pm